segunda-feira, 23 de outubro de 2017

ISLÂNDIA (3ºdia): Grundarfjordur - Husafell - Glaciar Langjokull - Reykholt















































O dia nasceu nublado. O som do rio e da chuva, que havia caído durante a noite, embalaram-nos numa noite de grande sossego. Cá fora o frio intenso e a paisagem pintada de verde eram as notas dominantes. Nada que detivesse os miúdos, que  aproveitaram o "relvado" para jogar futebol.

Parque de campismo de Grundarfjordur.























Grundarfjordur. À esquerda, a montanha Kirkjufell, um dos locais de culto para os amantes da fotografia. 


























Depois de uma breve caminhada, e resolvida a questão do despejo / abastecimento de água da nossa casinha com rodas, partimos com destino a Húsafell, a 165 km de distância, onde nos esperava uma experiência inesquecível! Tínhamos reservado uma visita ao Glaciar Langjokull (o "glaciar longo", o segundo maior da Islândia, com cerca de 950Km2)!

Um glaciar é uma enorme massa de gelo que, por acção da gravidade, sofre um lento deslizamento ao longo de uma superfície inclinada. Este deslizamento molda a superfície onde o glaciar se encontra - se este se encontra num vale, irá conferir-lhe um perfil transversal em forma de U. A camada de gelo do glaciar é formada por sucessivas camadas de neve compactada e recristalizada, de várias épocas, em regiões onde a acumulação de neve é superior ao degelo. Uma verdadeira maravilha da natureza!

Saímos de Grundarfjordur continuando pela N54, para alguns km à frente atalharmos pela N56. Pelo caminho atravessámos os campos de lava de Berserkjahraun, com cerca de 4000 anos. Uma incrível demonstração de actividade vulcânica recente (geologicamente falando...).

Berserkjahraun.















Berserkjahraun.























A N56 é um puro deleite para os olhos. São apenas 16 km, mas as vistas são soberbas!























Percorrida toda a extensão da N56, entramos de novo na N54, que contorna toda a península de Snaefellsnes, por entre montanha, campos de lava e explorações agrícolas de perder de vista.




























Continuamos até Borgarnes, onde abastecemos combustível e fizemos algumas compras, num supermercado da cadeia Netto. Seguimos para norte, pela Ring Road, e depois pela N50, com destino a Deildartunguhver. As manifestações geotermais começaram a ser evidentes, com fumarolas dispersas na paisagem, anunciando a chegada a Deildartunguhver.  Esta é, sem dúvida, uma paragem obrigatória! Aqui existe a fonte termal com o maior caudal da Europa. São 180 litros de água por segundo, que afloram à superfície a uma temperatura a rondar os 100ºC! Esta água é utilizada, desde 1925, para aquecimento central e a produção anual ronda os 62 MW. Como Deildartunguhver se situa apenas a 19 metros acima do nível do mar, foi desenvolvido um sistema de bombeamento de água para assegurar o transporte desta até Akranes, Borgarnes e Hvanneyri. A água atinge Akranes a uma temperatura de 73ºC e as zonas rurais mais distantes a cerca de 65ºC, depois de percorridos 74 km de tubagens. A força da mãe natureza é incrível!!

A fissura, onde a água brota a 100ºC. Aquando da nossa visita, decorriam obras de 
 melhoramento no sentido de dotar o local de maiores condições de segurança para
 os visitantes.













Pormenor de uma das condutas que conduz a água quente desde a fissura até às populações. O vapor de água é visível a várias centenas de metros de distância.



























A água quente é aproveitada, ainda, para o aquecimento de estufas, contribuindo para acelerar o desenvolvimento de várias culturas. É habitual encontrarmos alguns desses produtos expostos para venda à entrada das explorações agrícolas e em parques de estacionamento.




























Chegamos a Húsafell à hora de almoço. Estacionamos junto ao Hotel Húsafell e, depois do repasto, embarcamos numa viagem de autocarro (4x4) até ao campo base de montanha de Klaki. A estrada de gravilha até Klaki encontra-se aberta ao trânsito apenas entre 1 de Junho e 15 de Outubro, e apenas carros todo o terreno estão autorizados a circular durante este período. A viagem até ao campo base de montanha tem a duração de 45 minutos e a paisagem é brutal!!





































































Embora 10x menor que o maior glaciar da Islândia, o Langjokull apresenta-se diante dos nossos olhos como uma colossal massa de gelo!!








Em Klaki esperava-nos o ICE 1. Outrora ao serviço da NATO, transportando e lançando mísseis, este curioso meio de transporte, absolutamente espectacular, levou-nos numa viagem épica até ao topo do glaciar Langjokull. Lá em cima iríamos viver uma das experiências mais incríveis das nossas vidas: entrar num glaciar!!! 

Tracção sem limites!! Além do sistema AWD, este camião dispõe de insuflação e esvaziamento automático dos pneumáticos, adaptando-se às diferentes condições do terreno (lama, gravilha, gelo, etc...).


O topo do glaciar, um mundo de gelo à nossa volta! Indescritível! 


A subida ao ponto mais alto do glaciar foi pacífica. Assim que o camião parou, fomos conduzidos até ao ponto de entrada no glaciar. Cá fora as condições meteorológicas eram impiedosas, com muito frio, vento e alguma precipitação, mas assim que entramos no glaciar tudo ficou mais tranquilo. A entrada é feita através de uma conduta metálica de grande secção e os primeiros metros são de descida acentuada.


























Na Islândia existe a possibilidade de observar, de perto, um glaciar, quer à  superfície quer através da exploração de cavernas existentes nos bordos do mesmo. E agora, também, há a possibilidade de descobrir o interior de um glaciar. Este é o único local no mundo onde é possível ter uma experiência desta natureza!!! Depois de 5 anos de pesquisa e desenvolvimento do projecto, foi construída, em Junho de 2015, uma rede de túneis com cerca de 600 metros de extensão e 30 metros de profundidade, a partir da superfície do glaciar (a 1260 metros de altitude), na sua zona de maior estabilidade. É uma estrutura a cargo da Into The Glacier (www.intotheglacier.is), que requer manutenção diária e tem uma esperança de vida a rondar os 10 e os 15 anos. O Langjokull é um organismo vivo, que se move a um ritmo de 20 a 30 cm por ano, e é uma das maiores reservas de água potável na Islândia e em toda a Europa! A água que se bebe em Reykjavik provém deste glaciar.

Os túneis colapsam cerca de 1 mm diariamente, requerendo manutenção diária que inclui remoção de algum gelo. 


Por razões de segurança, são fornecidos crampons a todos os visitantes no interior do glaciar. 



























A temperatura no interior do glaciar é constante e ronda os 0ºC. É importante o uso de roupa e calçado adequados, nomeadamente botas, calças e casaco impermeáveis. O staff da Into the Gacier avalia previamente a indumentária dos visitantes e fornece equipamento impermeável, se necessário.


























À medida que a profundidade aumenta o gelo torna-se mais compacto, fruto da enorme pressão exercida pelas sucessivas camadas de neve. O gelo "perpétuo" distingue-se pela coloração azulada que adquire sob exposição da luz. Mágico!!

The church. No interior do glaciar já foram celebrados 7 casamentos.


Todos os materiais utilizados no interior do glaciar, como cordas, madeira, etc... são removíveis, de forma a não deixar qualquer tipo de vestígio da intervenção humana.





Os glaciares são autênticos laboratórios vivos da história da humanidade. Na imagem é possível observar dois enormes rastos de cinza vulcânica depositada no topo do glaciar durante as últimas erupções. 


























































































































Enorme fenda encontrada durante as escavações dos túneis, que obrigou a alterações ao projecto inicial, acrescentando metros à extensão inicialmente prevista. A imagem não consegue captar a imensidão da fenda. Extraordinário!! 





















































Depois desta enorme aventura, invertemos o sentido de marcha em direcção à N1. A apenas 6,6 km de Húsafell, nova paragem para observar as quedas de água de Hraunfossar e Barnafoss, ambas situadas numa extremidade dos campos de lava de Hallmundarhraun. Estes extensos campos de rocha vulcânica resultaram da erupção de um dos vulcões existentes sob o glaciar Langjokull, no ano de 930.

A água que vemos em Hraunfossar tem origem no degelo glaciar e é filtrada pela rocha vulcânica antes de precipitar-se no rio Hvitá.





Barnafoss consiste num estreitamento do rio Hvitá, originando fortes correntes que moldam a rocha aí presente.



Saímos do local já com a noite a cair. Andamos uns 20 quilómetros, até Reykholt, onde decidimos pernoitar. Estacionamos a autocaravana junto da igreja, num local recatado e muito sossegado, e aí passamos mais uma noite de pura tranquilidade.


Para conhecer toda a aventura clique aqui: ISLÂNDIA 2017: 12 dias em autocaravana
Para relembrar o 2º dia desta aventura na Islândia clique aqui: Reykjavik - Grundarfjordur (península de Snaefellsnes)
Para visualizar o 4º dia desta aventura na Islândia clique aqui: Reykholt - Dalvik

terça-feira, 17 de outubro de 2017

ISLÂNDIA (2ºdia): Reykjavik - Grundarfjordur (península de Snaefellsnes)
















































O dia nasceu chuvoso em Reykjavik. Depois de uma noite muito tranquila, aproximamo-nos do centro da cidade e estacionamos na zona portuária, junto a uma obra de arte inusitada, de seu nome Thufa. Subimos esta pequena "montanha" e, dali, ficamos a contemplar a paisagem, com o monte Esja e o Harpa Concert Hall a dominarem o horizonte.

Thufa, uma obra de Ólof Nordall. No topo existe uma pequena construção rústica de madeira para secagem de peixe que se encontra em plena utilização.
























O nosso objectivo fundamental para este 2º dia era subir a torre da Hallgrímskirkja, uma igreja luterana da Igreja Nacional da Islândia, finalizada em 1986, com 74,5 metros de altura, e daí  contemplar as vistas sobre a cidade. Trata-se de um monumento imponente que, naturalmente, se distingue por entre os demais edifícios históricos de Reykjavik. O interior é minimalista, sobressaindo um fantástico órgão de tubos, datado de 1992, composto por 5275 peças.






A perspectiva sobre a capital é lindíssima, com imensos telhados coloridos e construções relativamente modestas em altitude. Daqui temos vista para a zona portuária, aeroporto doméstico de Reykjavik (não confundir com o internacional de Keflavik) e toda a envolvente habitacional num raio muito alargado.














Terminada a visita a este importante monumento, descemos as ruas da capital em direcção à marina. Nas ruas vive-se um ambiente algo familiar e de grande tranquilidade, com abundância de restaurantes e lojas de artesanato.








Como se aproximava a hora de almoço, fizemos uma paragem num stand dos mundialmente famosos hot dogs da Beajarins Beztu Pylsur. De comer e chorar por mais!

As filas para provar esta iguaria são uma constante e a fama merecida. O sabor é único!


































O próximo grande motivo de interesse a visitar seria a Harpa, uma imponente sala de concertos e centro de congressos, plantada junto ao mar, integralmente revestida por vidro colorido. A Harpa e a Hállgrimskirkja são dois dos mais distintivos elementos arquitectónicos da cidade e, naturalmente, dos mais procurados quer pelos turistas quer pelos islandeses.
























A umas centenas de metros da Harpa, seguindo pelo passeio marítimo, encontramos esta bela escultura, de seu nome The Sun Voyager.























Depois de uma breve caminhada pelo passeio marítimo, regressamos à autocaravana e retomamos a viagem. O destino seria Grundarfjordur, uma pequena cidade na península de Snaefellsnes, a 200  km de distância de Reykjavik. Seguimos na N1 até Borgarnes e aí divergimos pela N54. Durante a viagem foi possível observar de perto as colunas de basalto de Gerduberg, a maior formação do género na Islândia. São cerca de 2 km de escarpas de basalto dispostas em colunas predominantemente hexagonais (disjunções prismáticas). Trata-se de um fenómeno geológico impressionante que ocorre em resultado do arrefecimento e contracção de uma grande massa de magma. Durante esse processo formam-se estruturas colunares de lados perfeitamente paralelos e alinhados, perpendicularmente à superfície de arrefecimento.



























Continuando para este, a paisagem é dominada pelo verde das pastagens, pelas montanhas e pelos vários tons de cinza característicos de um território de origem vulcânica. A precipitação na Islândia é uma constante e a paisagem confirma isso mesmo. O verde é omnipresente!!



Na Islândia existem alguns troços de estrada em gravilha, nomeadamente em regiões mais remotas como a península de Snaefellsnes. Circular nestas condições é um desafio e exige uma concentração extra. A N54 que nos levaria a Grundarfjordur não é excepção.






Quase na extremidade da península, nova paragem para contemplar Kirkjufell, também conhecida por "Church Mountain", e Kirkjufellsfoss (queda de água).




Com 463 metros de altura, Kirkjufell  é o pico montanhoso mais fotografado na Islândia. 

























Chegamos ao destino ao final da tarde. Grundarfjordur é uma pequena localidade ao pé do mar, com pouco mais de 8 centenas de habitantes. O parque de campismo, escondido entre as colinas e ladeado pelo rio Kverná, oferecia a tranquilidade necessária para uma noite de repouso. Os serviços são muito básicos, embora disponha de electricidade e área de despejos para autocaravanas. O preço médio ronda as 1100kr por adulto.

No dia seguinte esperava-nos algo único, algo incrível!!


Para conhecer toda a aventura clique aqui: ISLÂNDIA 2017: 12 dias em autocaravana
Para relembrar o 1º dia desta aventura na Islândia clique aqui: Keflavik-Blue Lagoon-Reykjavik
Para visualizar o dia 3º dia desta aventura na Islândia clique aqui: Grundarfjordur-Husafell-Glaciar Langjokull-Reykholt

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

ISLÂNDIA (1ºdia): Keflavik (KEF✈) - Blue Lagoon - Reykjavik














































A aventura começa no dia 31 de Agosto, com partida do tranquilo e confortável aeroporto do Porto e chegada ao enfadonho, confuso e super movimentado aeroporto de Gatwick. Esta escala incluiu uma noite num hotel nas imediações do aeroporto devido à incompatibilidade de horários entre os voos. Na manhã seguinte levantamos voo bem cedo, com destino a Keflavik, onde chegámos por volta das 9h. A expectativa era grande quando chegámos à Islândia!

Começámos por apanhar um autocarro (gratuito) para a agência de rent-a-car (Geysir), onde foram concretizadas todas as formalidades relativamente à autocaravana. Processo simples, profissional, e eficaz. A primeira paragem foi bem pertinho, num supermercado, para nos podermos abastecer de alimentos e outros itens. Escolhemos a cadeia Bónus, provavelmente a maior do país, essencialmente por dois motivos: maior variedade e preços ligeiramente mais acessíveis face a outros supermercados islandeses. Todos os guias de viagem que consultamos apontavam nesse sentido. No entanto, a oferta é bastante mais limitada em relação ao que estamos habituados e os preços... bem, esses são avassaladores!!




























Depois do almoço, seguimos em direcção a Grindavík, no sentido de visitar a Bláa Lónið, mais conhecida por Blue Lagoon. Situado no meio de um imenso campo de lava, com apenas 800 anos de idade, este impressionante spa geotermal é uma das maiores atracções da Islândia, sendo considerado, pela National Geographic, uma das 25 maravilhas do mundo. A água do complexo é salgada (água do mar) e é naturalmente aquecida a cerca de 1981m de profundidade, até uma temperatura de 240ºC, através do contacto com o magma, atingindo a superfície a uma temperatura de 38ºC. A particular situação geográfica deste país, atravessado pela crista média atlântica, que é do tipo divergente, é responsável por este fenómeno. A água é, inicialmente, captada pela central geotérmica de Svartsengi, que dista umas centenas de metros da Blue Lagoon, e depois canalizada para este complexo.


A caminho da Blue Lagoon é possível observar extensos campos de lava cobertos por musgo, bem como o vapor de água proveniente da central geotérmica que alimenta o complexo termal.

























A Blue Lagoon é bastante requisitada, razão que nos levou a fazer a reserva com cerca de 3 ou 4 meses de antecedência. O complexo é moderno e sofisticado, e o enquadramento paisagístico é impressionante, por entre rocha vulcânica de perder de vista e um enorme isolamento. O afloramento da água que abastece a lagoa arrasta enormes quantidades de minerais, sobretudo sílica, que assume a forma de uma lama branca, razão pela qual a água da lagoa apresenta uma tonalidade azulada característica. As propriedades únicas desta água trazem enormes benefícios, quer para o corpo quer para a mente.

Existe um percurso pedestre na envolvente exterior à Blue Lagoon, onde é possível observar de perto a rocha vulcânica solidificada coberta de musgo, vastos depósitos de sílica e a central geotérmica.





















































Pormenor do musgo delicado que cobre a rocha vulcânica. 























Chegamos por volta das 16 horas. Uma vez no interior do edifício, os "banhistas" são convidados a tomar um duche, integralmente nús, antes de vestir o fato de banho e entrar na lagoa. É um procedimento obrigatório e supervisionado (embora de forma muito discreta), um vez que os islandeses levam a questão da higiene neste tipo de complexos muito a sério. Com uma temperatura exterior a rondar os 10ºC, e com algum vento, a entrada naquela água é como que chegar ao paraíso. Simplesmente fabuloso! Foram mais de 3 horas de puro relaxamento e encanto, com direito a máscara facial de sílica e a um granizado bem gelado e delicioso no bar. Nada melhor que começar as férias num oásis assim!! Os miúdos adoraram a experiência, e os papás também!

A água da lagoa apresenta uma temperatura constante, a rondar os 37ºC e os 39ºC.






















Água pura e refrescante, para prevenir o risco de desidratação.



























As crianças com idade inferior a 8 anos são obrigadas a utilizar braçadeiras insufláveis, fornecidas no local. A profundidade máxima da lagoa é de 1,6 metros.























Após esta fantástica experiência, seguimos em direcção à capital, Reykjavik. Tínhamos planeado pernoitar no parque de campismo da cidade, mas tal não foi possível por este se encontrar esgotado!! Procuramos, então, um local tranquilo na periferia da cidade para estacionar e dormir. O dia seguinte adivinhava-se exigente, com muita caminhada pelas ruas da cidade.


Para conhecer toda a aventura clique aqui: ISLÂNDIA 2017: 12 dias em autocaravana
Para visualizar o 2º dia desta aventura na Islândia clique aqui: Reykjavik-Grundarfjordur

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

ISLÂNDIA 2017 - 12 dias em autocaravana / Iceland - 12 day motorhome trip


A Islândia, a "terra do gelo e do fogo", é um país nórdico europeu que há muito desejava conhecer.
Este ano tivemos o privilégio de passar 12 dias neste país e viver uma experiência que jamais esqueceremos. A Islândia está presente no imaginário de qualquer explorador e amante da natureza, tantas e tão variadas são as manifestações geológicas de vida do nosso planeta que podemos testemunhar. Vulcões, glaciares, falhas tectónicas, actividade geotermal ímpar, géiseres, quedas de água majestosas, cenários indescritíveis, atestam a singularidade deste país. A beleza e espectacularidade da paisagem é tal que emociona. Uma visita a este país faz-nos repensar a nossa dimensão no mundo, faz-nos sentir absorvidos, em perfeita comunhão com a natureza!! As palavras não chegam para descrever!!

Mãe, pai e três filhos (um com 9 anos de idade e dois com 5 anos) foram os protagonistas de mais uma verdadeira aventura. Fica o convite para acompanhar a partilha desta experiência nos próximos posts!

A preparação desta viagem começou meses antes, com muita pesquisa de informações e dicas, facilmente encontradas na internet. Assim que iniciámos a nossa pesquisa percebemos como é fundamental fazer marcações antecipadas, uma vez que a Islândia é, actualmente, um país muito procurado. Para nos facilitar o trabalho comprámos um guia detalhado de viagem, um mapa de estradas e desenhamos um roteiro com tudo o que pretendíamos ver e fazer.











Em que época do ano viajámos para a Islândia?

O calendário escolar acaba por limitar bastante as nossas férias. Após alguma ponderação, a escolha recaiu sobre as duas primeiras semanas de Setembro. Nesta altura do ano ainda há muita luz diurna (mais de 12h), o clima é mais suave e o fluxo de turismo é menor. Não menos importante, os preços são ligeiramente mais baixos que no pico do verão. No entanto, mais baixos não significa baratos. Longe disso!

Grande parte das infraestruturas, como parques de campismo, museus, restaurantes e mesmo algumas estradas encerram durante os meses de inverno, mas até final de Setembro o país funciona em pleno. 
Durante os meses de Junho, Julho e Agosto, os dias na Islândia são muito longos, com dias em que mal anoitece e pode ser observado o famoso "sol da meia-noite". Tratam-se dos meses em que há maior afluência de turistas, quer pelo clima mais ameno, quer pela possibilidade de rentabilizar mais os dias para conhecer o país.

Contudo, o incrível fenómeno das auroras boreais só é observável quando existe noite, pouca nebulosidade e alguma sorte. A possibilidade de testemunhar um acontecimento desta natureza, bem como tudo o que foi dito anteriormente, pesou imenso na nossa escolha pelo mês de Setembro. Além disso, respeitávamos melhor o nosso ciclo circadiano. Nada como manter o descanso "em dia". 


Que companhia aérea escolhemos para viajar até à Islândia?

Após várias pesquisas acerca de preços, datas e hora dos voos, o melhor compromisso foi partir do Porto para Londres-Gatwick (Inglaterra) através da TAP (ida e volta). O voo entre Londres-Gatwick (Inglaterra) e Keflavik (Islândia) foi operado pela Easyjet (ida e volta). São pouco mais de 5 horas de voo, no total. 


Qual o meio de transporte que escolhemos para percorrer a Islândia?

O plano seria percorrer a N1 ou Ring Road (estrada que permite dar a volta ao país), e por isso decidimos que a melhor solução seria uma autocaravana. Por um lado temos sempre todas as condições de conforto, higiene e alimentação adequadas a uma família com crianças pequenas. Por outro lado toda a liberdade de decidir onde parar e quanto tempo ficar. E, também, porque somos fãs de autocaravanismo! Foi alugada numa companhia local, a Geysir (www.geysir.is).

Porque não alugámos carro? Alugar um carro para percorrer a ilha implicaria ficar em hotéis previamente marcados ou recorrer a campismo. Existem hotéis estrategicamente posicionados à volta do país que dão um bom apoio a quem opta por este tipo de modalidade, mas que impõem um plano de viagem mais rígido por ter de estar nesse dia e local a tempo para fazer check-in... O campismo permite maior liberdade mas expõe-nos imenso aos elementos do clima e é necessário todos os dias montar e desmontar a tenda. Não acho boa opção para quem leva crianças. Vimos apenas adultos a fazê-lo e por vezes debaixo de chuva, frio e vento. Mesmo no verão as condições climatéricas podem ser muito adversas.

Para quem pretende conhecer o interior do país, onde existem as F-roads (estradas onde só podem circular veículos 4x4) é boa opção alugar um todo-o-terreno. Esta zona do país é mais perigosa e isolada mas com paisagens surreais, tal como pudemos constatar em algumas incursões que fizemos ao interior (glaciar Langjokull, por exemplo).

Como decidimos circular à volta do país pela Ring Road, num projecto já ambicioso para 12 dias, não achámos necessário alugar um 4WD. A autocaravana serviu perfeitamente os nossos intentos e mostrou-se perfeitamente capaz de atravessar alguns troços de gravilha sem dificuldades. Aqui está, o nosso hotel com rodas...



Onde pernoitámos?

Existem parques de campismo um pouco por toda a ilha, onde existem áreas de serviço para autocaravanas. Optamos por pernoitar, a maior parte das vezes, em parques de campismo, pela facilidade em aceder a electricidade e a áreas de despejo e abastecimento de água, mas também ficamos em outros locais. No entanto, é importante ter em conta que há regras que devem ser respeitadas na hora de escolher um local para passar a noite. Em Novembro de 2015 foi aprovada uma nova legislação pela Agência Ambiental da Islândia que define as condições para poder pernoitar e acampar fora dos parques próprios para o efeito. Aqui fica uma foto panorâmica sobre o parque de campismo de Grundarfjordur, com a "nossa" autocaravana ao fundo.





Qual a rota escolhida para conhecer a Islândia?

Tentamos que o plano traçado fosse cumprido na íntegra, o que veio a acontecer. De uma forma muito resumida, porque não inclui alguns pequenos desvios, este foi o trajecto seguido:

Fonte: Google Maps
























Para conhecer todos os detalhes do nosso percurso pela Islândia clique sobre cada um dos 12 dias:

DIA 1

DIA 2
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