sexta-feira, 3 de novembro de 2017

ISLÂNDIA (4ºdia): Reykholt - Dalvik





























Após mais uma noite de absoluta tranquilidade, começamos o dia com a visita a Reykholt. Trata-se de uma pequena localidade com grande interesse histórico, pois aqui viveu o político, historiador e importante escritor medieval de sagas, Snorri Sturluson (1179-1241), autor de numerosas obras sobre mitologia e história nórdicas. Todos os detalhes sobre a vida e obra de Snorri estão, actualmente, expostos no Centro Cultural e Medieval de Snorrastofa, construído em memória deste autor, na dependência  do edifício da igreja de Reykholt.

O local escolhido para pernoita. Tranquilidade absoluta, em local abençoado.























A actual igreja de Reykholt, inaugurada em 1996. O museu dedicado a Snorri funciona na base do edifício.






















Antiga igreja de Reykholt. Construída entre 1896 e 1897, esteve ao
serviço até 1996. 







































Outro dos grandes motivos de interesse nesta localidade, outrora um dos mais importantes centros escolares e intelectuais da Islândia, é a existência de vestígios arqueológicos da quinta onde Snorri viveu, incluindo um túnel que ligava a casa do escritor a uma piscina termal, para seu uso exclusivo. Os sinais de actividade vulcânica secundária são bem visíveis em Reykholt.

A água é quente e convidativa, mas os banhos são totalmente proibidos. Este local histórico tem enorme importância para os Islandeses. 























As fumarolas denunciam a actividade vulcânica. O potencial térmico é usado em vários domínios, nomeadamente em casas particulares para o aquecimento de pequenas estufas.























Ainda em Reykholt, tivemos a oportunidade para observar, de perto, vários exemplares do cavalo Islandês que, curiosamente, pastavam numa propriedade em frente ao largo da igreja. Trata-se de uma raça desenvolvida na Islândia, caracterizados pelo porte reduzido, elevada esperança média de vida,  resistência e pouca susceptibilidade a doenças. É frequente observar estes cavalos um pouco por todo o país.







De volta à estrada e à N1, seguimos viagem naquela que seria a etapa mais longa de todas, com cerca de 340 km. Havia que chegar a Dalvik, bem no norte do país, ainda antes de anoitecer. Apesar das muitas horas ao volante, a jornada foi incrível, com a descoberta de locais fantásticos e a companhia constante de paisagens arrebatadoras! Um desses locais fantásticos é Bifrost. Esta pequena vila universitária localiza-se no meio (literalmente!) de um campo de lava com pouco mais de 3000 anos, e serve como referência para visita às crateras vulcânicas de Grábrók.

Pormenor da zona habitacional de Bifrost, edificada sobre um extenso manto de basalto.






















Integrando a zona vulcânica de Snaefellsnes, Grábrókargígar foi declarado monumento natural em 1962, no sentido de proteger os 3 cones de escoria aí existentes. Existe uma rede de trilhos pedestres que possibilitam a subida ao cone de maior dimensão, Stora Grábrók, e daí contemplar os restantes cones vulcânicos e envolvente. As "vistas" são grandiosas... e o vento, lá no topo, implacável!

Vista aérea das crateras de Grábrók. Esta fotografia é parte integrante de um painel informativo que existe no local.




































A subida ao topo da cratera, desde o parque de estacionamento, demora cerca de 15 minutos, em ritmo normal.























O musgo é omnipresente e uma imagem de marca da paisagem Islandesa.























O interior da cratera Stora (grande) Grábrók.























Grábrókarfell é o segundo maior cone deste conjunto.


























Polo universitário de Bifrost e algumas habitações.



























Directamente do interior da Terra para a minha mão! 






















De regresso à autocaravana, e com quase 300 km pela frente, decidimos avançar mais um pouco. A cada curva e a cada instante, a tentação de parar para fotografar ou, simplesmente, contemplar a paisagem, era enorme! Não há palavras nem imagens que descrevam o cenário. São centenas de quilómetros de estrada livre por entre paisagem de cortar a respiração!! Simplesmente lindo!!!













Nova paragem, agora a 200 km do destino, em Hvammstangi. Local com forte tradição de pesca, esta vila aloja a maior fábrica de têxteis da Islândia. Junto ao porto é possível observar a tradicional seca do peixe, um petisco muito apreciado pelos islandeses, e visitar o Icelandic Seal Center. Observar as focas, em estado natural, está ao alcance de uma breve viagem de barco. Mas sobre focas falaremos mais tarde.

Uma iguaria para apreciadores com estômago (e olfacto) forte!!













A 10 km de Akureyri, a capital do norte e segunda maior cidade da Islândia, desviamos pela N82 até Dalvik, onde chegamos já ao final da tarde. Dalvik é uma bela e tranquila vila com cerca de 1400 habitantes, situada em frente ao mar e rodeada pelo fiorde Eyjafjordur. Toda a construção é relativamente recente, em virtude de enormes terramotos que atingiram a vila em 1934 e 1976. Aqui encontramos um importante porto comercial e piscatório, e ainda o ferry que serve a comunidade da ilha de Grimsey, em pleno circulo polar Ártico. Tem ganho notoriedade por assumir-se como um dos melhores locais para observação de cetáceos e aves marinhas. Felizmente, pudemos confirmar isso mesmo.



Pernoitamos no parque de campismo local, situado ao pé das escolas, centro de saúde, piscina e campo de futebol. É um parque bastante amplo, relvado e com boas condições para autocaravanistas  À chegada o tempo estava bastante nublado, mas a chuva desaparecera. Consultando as previsões, na app Aurora Forecast, o panorama era animador, com céu limpo a partir da meia noite e algumas hipóteses para observar a Aurora Boreal.



Alguns metros ao lado do parque de campismo, avistamos umas crianças a jogar futebol. Os nossos filhos estavam desejosos por jogar, e foi com naturalidade que começaram a interagir com estes novos amigos. O mais velho do grupo, com 11 anos, envergando, orgulhosamente, uma camisola do Cristiano Ronaldo, foi o interlocutor, expressando-se em inglês fluente. E ali, durante mais de uma hora, esgrimiram os seus argumentos futebolísticos. Haveriam de marcar encontro para o dia seguinte, para novo jogo, e dali nasceram amizades.































Já depois das 23 horas, decido sair da autocaravana. Cá fora estava frio, muito frio. Mas o céu estava limpo e a esperança de avistar as Northern Lights era cada vez maior. A Islândia é um dos melhores locais no mundo para observar a Aurora Borealis e o mês de Setembro marca o início da temporada de observação deste fenómeno. Pouco antes da meia-noite, subitamente, o céu transforma-se e ganha vida. Irrompo pela autocaravana com o coração aos saltos e aviso o resto do clã da chegada das luzes do norte. Durante mais de 30 minutos fomos brindados por um espectáculo de luz e cor que nunca mais esqueceremos. No parque de campismo, por entre a escuridão, ouviam-se uau's e wow's de admiração. Ninguém conseguia desviar os olhos do céu, tal a beleza do espectáculo que estávamos a assistir. Dada a dificuldade de captação de imagens em absoluta escuridão, decidimos apreciar o momento e esquecer a fotografia. Foi memorável!!! Foi extraordinário!!!!

Embalados pelas auroras, adormecemos já depois da 1h. Havia que descansar, porque o dia seguinte reservava-nos uma aventura inacreditável com um gigante dos oceanos.

Para conhecer toda a aventura clique aqui: ISLÂNDIA 2017: 12 dias em autocaravana

Sem comentários:

Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...