sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

ISLÂNDIA (9ºdia): Skaftafell - Fjadrárgljufur Canyon - Vik i Mýrdal - Reynisfjara






O dia nasceu solarengo e com céu limpo, ideal para explorar algumas áreas do Parque Nacional de Vatnajokull. O parque, criado em 2008, é o maior parque nacional da Europa e engloba toda a extensão da calota de gelo de Vatnajokull e os parques nacionais de Skaftafell e Jokulsárgljúfur, numa extensão total de 12 mil km₂. Montanhas, vulcões activos, glaciares, rios glaciares, planícies arenosas de perder de vista e quedas de água únicas,  são alguns dos motivos de interesse desta imensa e belíssima região.

O camping de Skaftafell, onde pernoitamos, situa-se a escassos metros da porta de entrada no Parque Nacional. Possui boas condições para todo o tipo de campista e abundância de espaço, com áreas delimitadas por arbustos. Não existem gradeamentos, redes ou qualquer género de delimitação física que possa perturbar a visão e o ambiente, à semelhança com a esmagadora maioria dos campings que visitámos. Sem dúvida, um dos melhores da Islândia.



Após um curto desvio até ao centro de visitas do parque, onde recolhemos algumas informações, decidimos iniciar a nossa caminhada. O dia estava perfeito, sem vento e com muito sol. Em redor a paisagem era muito diversificada, com montanhas cobertas de neve e glaciares, na vertente norte, e uma infindável extensão de planície em direcção à costa, na vertente sul.






Mesmo ao lado do centro de visitas do parque a paisagem é incrível...

Uma bela imagem do Skaftafellsjokull. O glaciar é visível desde o centro de visitas. Magnífico!!


























Escolhemos um percurso com cerca de 7 km de extensão, com alguns troços bastante irregulares, mas estávamos decididos e confiantes. O início da caminhada foi algo exigente, de subida constante, com a paisagem a fazer esquecer o cansaço. Entre a caminhada e as paragens obrigatórias, nos locais de maior interesse, foram cerca de 3 horas de aventura. Os mais pequenos foram uns verdadeiros heróis! 

Vista sobre parte do parque de campismo de Skaftafell. O parque é imenso e tem boas infraestruturas de apoio ao campista.


























Um dos principais focos de interesse neste parque é Svartifoss. Esta queda de água, de enorme beleza, é um verdadeiro oásis no meio de uma vasta área de montanha com vegetação rasteira. A água, que provém do glaciar Svinafellsjokull, precipita-se ao longo de 20 metros de altura. Nos bordos laterais são imensas as colunas de basalto hexagonais, a verdadeira imagem de marca de Svartifoss.

Svartifoss.

























Continuamos a nossa caminhada, em direcção à vertente sul da montanha, nomeadamente à quinta de Sel, com o objectivo de observar alguns exemplares das tradicionais casas de turfa islandesas. Fruto de um clima muito adverso, e da escassez de madeira e outros recursos, estas construções rudimentares, parcialmente enterradas no solo e com cobertura de turfa, material muito abundante no país, ofereciam grande isolamento térmico. A proliferação destas casas ocorreu entre os séculos IX e XI, com a chegada dos primeiros colonizadores nórdicos e britânicos, em plena era Viking. São, desde 2011, património da humanidade da UNESCO. As casas são verdadeiramente peculiares e a vista desde o local é... soberba!! 

A caminho das casas de turfa de Sel, com Svartifoss escondida na depressão da montanha.

As casa turfadas de Sel estão integradas, desde 1972, no Museu Nacional da Islândia.








Vista privilegiada para o glaciar Skeidarárjokull. A paisagem é surreal!!

Pormenor do interior de uma das habitações.

Após quase 3 horas de caminhada, que nos encheram de satisfação, regressámos ao parque de campismo. 






Como ainda restavam muitas energias, houve tempo para aproveitar o extenso relvado disponível. Se há coisa que abunda na Islândia é o espaço!! 



Depois de um almoço retemperante, partimos rumo a Vik, o destino final para este dia. Ao longo da N1 a paisagem era um deleite, com vastas áreas de cinza vulcânica, infindáveis campos de basalto cobertos de musgo e a omnipresente montanha a marcarem a paisagem.
















































































A primeira paragem da tarde aconteceu numa pequeníssima localidade, Kirkjubaejarklastur, para observar Kirjugólf (o chão da igreja). Trata-se de um afloramento de colunas de basalto, maioritariamente hexagonais, exposto pela erosão. Recebeu esse nome por ter sido confundido, no passado, com o chão de uma igreja; no entanto nunca existiram sinais de que qualquer edifício tenha sido construído naquele local. Kirkjugólf é um monumento natural protegido. 


Kirkjugólf, um afloramento natural de colunas de basalto, parece "man made."


Em Kirkjubaejarklastur a atenção ao detalhe é notória e os aspectos sanitários são uma verdadeira preocupação. As multas são muito pesadas, por isso é favor não esquecer...





Regressámos à estrada para mais 10 km, por entre os campos de lava de Eldhraun, os maiores da história da humanidade. A erupção do vulcão Grímsvotn e da fissura de Laki (ambos pertencentes ao mesmo sistema vulcânico), em 1783, foi uma das mais destrutivas de sempre. Durante cerca de 8 meses a fissura de Laki expulsou 14 km cúbicos de basalto e gases tóxicos, cobrindo uma enorme área no sul do país. O fluxo foi de tal ordem que atingiu a costa, situada a quase 50 km da fissura! Perderam-se, para sempre, enormes zonas de cultivo e 50% dos animais morreram intoxicados pelas nuvens venenosas que emanavam da erupção. A fome abateu-se sobre os escassos habitantes da ilha e viveram-se anos de enorme dificuldade no país. Estima-se que 25% da população tenha morrido. 

Não é possível descrever em palavras aquilo que os nossos olhos testemunharam, é preciso estar lá para conseguir absorver aquilo que nos rodeia! 



O musgo cobre a paisagem de verde e ameniza um dos episódios mais catastróficos da Islândia. 


A estrada levou-nos até Fjadrágljúfur, um desfiladeiro verdadeiramente impressionante atravessado pelo rio Fjádrá. O canyon, com cerca de 100 metros de profundidade e 2 km de extensão, terá sido formado há cerca de 9 mil anos, na última Idade do Gelo, e o seu leito, maioritariamente de palagonite, data de há 2 milhões de anos. A sua origem é devida ao recuo de um glaciar e aos enormes caudais de água canalizados para esse local. 

Para chegar ao desfiladeiro é necessário fazer alguns quilómetros em estrada de gravilha, por entre campos agrícolas. Para ter uma noção da real dimensão deste fenómeno de rara beleza é imprescindível percorrer o trilho ao longo da margem superior do canyon ou, em alternativa, o interior deste (opção mais difícil pela necessidade de cruzar o curso de água). As imagens falam por si...

O parque de estacionamento de Fjadrárgljufur.



























































































































Faltavam 70 km para o destino. Chegámos a Vik i Mýrdal ao final da tarde, com a chuva de regresso. Esta pequena localidade Islandesa é, simultaneamente, a mais austral e chuvosa do país. É famosa pelas suas extensas praias de areia negra, nomeadamente Reynisfjara, que é considerada internacionalmente como uma das mais belas do planeta. 

Aproveitamos para fazer algumas compras, as últimas até ao final da viagem, no único supermercado de Vik. Foi mais um momento divertido, tentando encontrar os preços menos absurdos e estratosféricos possíveis. A título de exemplo, umas deliciosas uvas a 7,2 eur/kg...



Daqui seguimos até Reynisfjara, a poucos quilómetros de distância, sob muita chuva e muito vento. À chegada os avisos de perigo eram visíveis em todo o lado. Esta praia tem tanto de belo como de perigoso, com vários incidentes registados ao longo dos últimos anos envolvendo, sobretudo, turistas. As correntes são muito fortes e imprevisíveis e aos visitantes é exigido o máximo de cuidado.

Além do extenso areal negro, a praia contempla os visitantes com um penhasco espectacular, formado por enormes colunas regulares de basalto, Gardar, que se assemelha a uma pirâmide, e belíssimas formações rochosas erigidas no mar, Reynisdrangar.

Reynisfjara.

























Gardar.





























Reynisdrangar.
Deixamos Reynisfjara ao final do dia, com a noite a cair. Poucos minutos bastaram para encontrarmos uma área de descanso, entre o mar o poderoso Katla, um dos maiores vulcões da Islândia. De acordo com as estatísticas, entra em erupção num intervalo entre os 50 e os 80 anos. Parcialmente coberto pelo glaciar Mýrdalsjokull, tem uma altitude máxima de 1512 metros e uma caldeira com 9 km de diâmetro. Possui um índice de explosividade bastante alto e os cientistas acreditam que, a curto prazo, entrará em actividade. A última erupção data de 1918... rezamos para que não acordasse naquela noite!

Para conhecer toda a aventura clique aqui: ISLÂNDIA 2017: 12 dias em autocaravana

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